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A saga de um desempregado em Sanja City. fernandoyokota@ hotmail.com

 

24.4.02

 
Depois de algum tempo sem dar o ar da graça por aqui achei que hoje seria um dia bacana para voltar a escrever. Antes que alguém pergunte, tenho sim meus dias bacanas e apesar de não parecer sou um cara bastante feliz, ou pelo menos tendendo à felicidade. Só que tem dias (geralmente os que acabo resolvendo escrever) que nem tudo dá certo ...


C'est la vie

Acordando após uma conturbada noite de sono (incluindo um pernilongo afinado em lá e um confuso sonho sobre um show de Paul McCartney na Casa dos Artistas) acordo às 9h30 para o que até então estava programado para ser o dia perfeito, ou pelo menos um dia bem bacana. Após um chute na pedaleira, estranhamente localizada no meio do quarto, recebo o novo dia com um sonoro "filho da puta" e percebo que não há café no bule (literalmente). Com cara de sono sobrevivo até a hora do almoço e logo depois saio para comprar um gabinete para meu computador novo (a minha esperança para o tal dia bacana). E quem disse que eu tinha folhas de cheque ...

Resolvi então ir até o correio antes de sacar a grana e mandar uns pedais que tinha vendido para um cara de São Paulo. Após longos 30 minutos de espera estamos eu e uma velhinha a quem, simpaticamente, cedi meu lugar. Mal sabia eu que a então inocente velhinha traria umas cem (sim, cem) cartas para algum concurso daqueles de programa de TV para dona-de-casa. Ciano de raiva volto para a loja com o dinheiro e levo embora o gabinete para o meu tão querido computador novo.

Em casa arrumo um espacinho minúsculo numa cadeira e começo a desmontar o pobre gabinete como um cirurgião entorpecido, e aos poucos vou enchendo o pobrezinho com placas e fios (alguns muito estranhos). Aperta daqui, solta de lá, e no final das contas faço um movimento em falso e a placa-mãe misteriosamente desaba. Pelo som de parafuso arranhando a placa pude sentir que algo aconteceu e quando vejo o lado de trás vejo um minúsculo pedacinho de qualquer coisa pendurado. Para meu azar o pedacinho minúsculo era um indutor em seus últimos momentos de vida. Seu vizinho, um capacitor, acabou se perdendo pela imensidão do chão daqui de casa. Era o meu dia perfeito indo por água abaixo, de uma vez por todas. Pensei em levar as mãos ao rosto e começar a chorar mas nem isso eu podia fazer. Eu tinha cortes em TODOS os dedos das mãos, sendo um respeitosamente profundo, no dedão esquerdo.

Depois de tudo isso vi que o melhor a fazer era tomar um banho e ir buscar outra placa amanhã em Sampa, mas nem do banho consegui escapar ileso. Ao sair do box, pego a toalha que de repente ameaça cair. Com um movimento inexplicavelmente rápido peguei a toalha ainda no ar e golpeei minhas partes baixas vigorosamente, uma legítima direita de George Foreman. Caí aos prantos convulsivamente no chão, praticamente sem ar e com os olhos querendo pular para fora da cabeça.

Agora cá estou eu com as mãos de quem brincou de escravos de Jó com uma lâmina de barbear por um dia inteiro, preocupado com a continuação da saga dos Yokota e - o que é pior - digitando isso tudo no computador velho ...

Até ...

(Corinthians x São Paulo)



13.4.02

 
Volto quando achar algo para escrever ... (Oasis, Heathen Chemistry)




11.4.02

 
Quinta, 11/4

Se você mora sozinho sabe do que estou falando ...

Gostaria de ser um desses caras que cozinham pra caramba e sabem até lavar couve-flor decentemente. Queria ser saber o que fazer com um pedaço de carne inteiro e como grãos duros de feijão acabam virando aquilo que acabo comendo com arroz (você coloca o arroz por cima do feijão, faz o contrário ou coloca um ao lado do outro?). O pior é quando no meio do desespero descobrimos que a única coisa a ser feita é pegar aquele último pacotinho de miojo e jogá-lo nos 450ml de água já fervente. Descobri a diferença entre as pessoas que moram sozinhas e as pessoas que moram sozinhas mas não sabem cozinhar quando me flagrei contando os tais três minutos que supostamente o macarrão (aka monte de glúten com conservante) leva para estar devidamente cozido.

Acabei colocando pouca água no macarrão e larguei a panela no fogo alto por mais tempo já que o telefone tinha tocado (acho que foi quando eu estava no dois minutos e dezessete segundos) e no final das contas vi a água fugindo pela janela em forma de vapor. Restou-me então colocar em prática aquilo que fez daVinci famoso (tirando a Monalisa): inventar coisas. Unindo a necessidade de inventar algo com aquele bolo de macarrão pré-fabricado e as próximas datas de validade de várias coisas na geladeira, fiz ainda o favor de desocupar bastante espaço ali dentro utilizando tudo que potencialmente pudesse tornar parte de um molho. Cinco minutos depois estou eu indo em direção à sala com um prato numa mão e uma taça de vinho na outra, achando tudo muito cool e bacana. Cool definitivamente não é a palavra certa para descrever o inferno gástrico que rola aqui dentro. Talvez um harakiri de dentro para fora seria a descrição mais exata do que se passa.

Monitores que explodem à parte, de resto vai tudo bem. Ou tendendo à melhora ...

(Black Crowes, 99x acoustic live)

PS - vejo aqui no chão um monitor coberto de fuligem.

PPS - tive que consultar o dicionário porque não sabia se escrevia fuligem ou foligem.



9.4.02

 
Trinta e cinco do segundo tempo, três a um para o Barça e pressão de ambos os ataques. O Panathinaikos jogava-se desesperadamente ao ataque e não tinha outra escolha senão um tento a mais para se classificar e desbancar o (atualmente capenga) esquadrão catalão em pleno Camp Nou (ou Nou Camp, dizem que tanto faz ...). Emmanuel Olisadebe invade a área e na dividida choca-se cabeça-a-cabeça com o guarda-metas argentino Bonano. O pobre Bonano saiu de maca e de presente ganhou um colar cervical, e quando achei que tinha acabado por aí as trêmulas câmeras focalizam alguém no banco do Panathinaikos caindo duro no chão. Já vi jogos que foram verdadeiras batalhas, mas nunca tinha visto algo assim. John Rambo teria um lugarzinho naquele meio-campo porque o Camp Nou era a imagem do inferno ...

Passei a tardezinha ouvindo pela milésima vez o CD novo do Stevie Ray Vaughan, uma compilação dos dois shows que ele e o Double Trouble fizeram no festival de Montreaux. Quem gosta do Stevie Ray sabe que ele sempre foi aquele cara que parece ser meio bobão, meio fora da realidade, mas um grande cara dotado de um coração de mãe. Deviam ter falado isso àqueles trogloditas sentimentais que foram vê-lo tocar em 82 e talvez pensariam duas vezes antes de vaiar o pobre Stevie Ray. Ele fazia de conta que não era com ele, mas até eu, com quatro anos na época, notaria a tristeza em sua voz. Alguns diziam que era barulhento demais e que não deveria estar ali tocando, mas qual seria a base disso? Montreaux deixara de abrigar um festival puramente jazístico há anos e dizer algo assim seria jogar no time da direita musical claramente. Se Jackson Browne e David Bowie não estivessem naquele lugar naquele dia com certeza Stevie Ray Vaughan seria hoje somente o irmão mais novo de um bluesman meio falido de Austin (não que ele seja ruim, mas estaria tocando em botecos até hoje), um tal de Jimmy Vaughan. "Three years ago we got a boo, now we got a Grammy". Prova de que veneno de cobra não apaga fogo.

Stevie era um cara que eu gostaria muito de ter conhecido, muito mesmo ...

(Yamandú Costa. Sensacional! Falo sobre ele amanhã.)

Escreva pro Jotinha!

 
Terça, 9/4

O que a miséria da São Petesburgo de Dostoiévski e a sujeira californiana de Bukowski e o blog do Jotinha teriam em comum, lógico que sem contar o vinho. Difícil, não? Ratos, na verdade um único.

Estava eu exatamente aqui em frente ao monitor digitando qualquer coisa quando subitamente minha mãe diz que viu um rato entrando pelo portão de casa. Num primeiro instante suspeitei das sombras que a TV ligada projetavam nas paredes da sala pois eu memso já fui vítima de tal equívoco óptico. Por outro lado era possível notar que ela tinha muita certeza de ter visto o roedor, então prontamente passamos a procurar o bichinho. Pergunto eu então: numa casa grande como essa é lógico que o último lugar que o animal escolheria para se esconder seria o meu arrumado quarto, certo?

A imagem que os olhinhos pretos do ratinho devem ter captado no momento em que passou pela porta de meu não-tão-arrumado-assim quarto deve ter sido algo equivalente a um campo de guerra para um ser vivo daquele tamanho e obviamente era o lugar perfeito para se esconder. Mesmo sabendo que provavelmente o aspirante a Jerry estava logo ali resolvi pegar meu livro e tentar esquecer afinal de contas não tinha certeza absoluta de que eu coitado ali estava. Noto então um rápido movimento de sombra no canto do olho e penso comigo mesmo que "é lógico que é a sombra feita pela claridade da TV". Lembrei então que eu estava lendo e não assistindo a TV e que seguramente era o rato que esperava por um momento de distração minha para bater em retirada. Qualquer pessoa quando resolve ir morar sozinha acaba descobrindo que não sabe fazer uma porção de coisas como consertar um chuveiro, arrumar um encanamento ou até trocar um bujão de gás. Eu descobri que não sabia como matar um rato, ou pior: talvez não teira coragem de fazê-lo. Me senti um monstro de seriado japonês tentando pegar o minúsculo e infinitamente mais rápido roedor e acabei decidindo que o melhor a fazer seria esperar a próxima investida doe meu oponente. Minutos depois vejo a arisca criatura cruzando o quarto e identifico a localização exata dele. Aciono o alarme vermelho e em dez segundos a cavalaria inteira estava lá, armada e de prontidão. O pobre rato não teve chance, foi encurralado e estava morrendo de medo. Após cirúrgica operação capturamos o inimigo que foi devidamente recluso à sacola plástica de uma loja qualquer de CDs.

Nos olhos do pobre animal, sinais de angústia eram transmitidos continuamente e eu não tive coragem de mover uma palha contra o bicho. Covardemente entreguei a sorte do ratinho ao meu pai, e sinceramente nem quis saber qual foi o desfecho.

Instantes depois lá estava eu arrumando meu quarto para que um rato nunca mais caísse na tentação de nele se esconder. Não suportaria ter que olhar para aqueles olhinhos pretos esbugalhados mais uma vez ...

More to come ...

(Alanis Morissette, Under rug swept)

Escreva pro Jotinha!



8.4.02

 
Segunda, 8/4

Há dias para ir ao cinema e dias para ir ao cinema e parece que toda semana chego a essa conclusão pela primeira vez. Quartas (por causa dos preços mais baixos o dia inteiro) e fins de semana sempre foram dias a serem evitados e sempre que posso deixo para ver filmes às terças, quintas ou domingos à tarde (aos domingos mais pela tradição que pela comodidade). Presumo que você esteja perguntando pela segunda-feira e acabei não me referindo a ela por quase não ir ao cinema na segunda. Não há motivos especiais para isso, simplesmente acontece.

Eis que hoje resolvo ir ver A vingança do mosqueteiro (o chamado "filme legalzinho"), sim, em plena segundona. O que não esperava encontrar por lá era uma promoção de 2,50 e uma horda de adolescentes comprando ingresso. Num dia como qualquer outro com certeza daria meia-volta e voltaria para casa mas não sei por que acabei encarando a fila. Entro então na sala e escolho um assento mais ou menos no meio e perto do corredor. Em ocasiões normais com certeza sentaria num lugar mais alto mas tamanha era a excitação hormonal nas fileiras superiores que eu, na condição recém-adquirida de tiozão rabugento, preferi ficar mais embaixo mesmo. Dez minutos depois percebo que estou rodeado de moleques chatos fazendo piadinhas tão ridículas quanto zaga do São Paulo. De repente pipocas, camisinhas infladas e todo e qualquer tipo de objeto começa a voar e o moleque ao meu lado se apodera do braço direito da minha poltrona com seu cotovelo, o que me tirou o último pingo de paciência. Após uns cinco minutos de pé encontrei um lugar muito, mas muito longe e ali fiquei. Logicamente meu celular, já tradicionalmente (um dia preciso falar sobre minha teoria da tradicionalidade aplicada aos pequenos negócios ...), caiu no chão e se espatifou em dois e fiquei com uma certa vontade de ir ao banheiro (cortesia do suco de tangerina com aroma de ovo).

Terrores à parte saí decidido a comprar uns CDs e tive o azar de encontrar muita coisa que há tempos queria ...

- Familiar to millions do Oasis (a gravação não é tão ruim assim);
- Stevie Ray Vaughan and Double Trouble, Live at Montreaux 1982&1985;
- o Cd do destruidor Yamandú Costa;
- um barato Pulse do Pink Floyd;
- e o novo da Alanis (por já não esfoladores assim 24 reais).

Bom, tá meio complicado de escrever hoje. Vamos ver o que o velho rock and roll pode fazer por mim em mais um dia de bad mood.

(Oasis, Familiar to millions)



7.4.02

 
Domingo, 7/4

Dizem que somos como senóides, com vales e picos. Acho que até concordo com isso mas senóides são simétricas e periodicamente regulares então creio que estamos mais para uma série de Fourier indissecável.

Deixando a matemática de lado - visto que nunca fui aluno dos mais aplicados - volto ao que me levou a lembrar das pobres cobrinhas matemáticas. Dia de cão esse de hoje, mesmo sendo um domingo como qualquer outro. Ou talvez justamente por ser um domingo como qualquer teria hoje sido um dia longe dos melhores. Praticamente livre da debilitação digestiva que me derrubara na sexta resolvi pegar a bike e dar aquela já consagrada volta light dominical (sem seguir reto pela Dutra até o Carrefour, preferindo entrar pela Tivoli seguindo até a Vila Ema). Não precisei de muitos minutos pedalando para perceber que uma semana de ócio físico em Sampa me custaram centímetros mais longe do guidão e dias mais longe das tão reivindicadas calças 38 que a cada dia que passa vão ficando mais para o fundo do guarda-roupas.

Se a Internet serve como via de integração entre as pessoas o contrário é igualmente verdadeiro. Devo ter me indisposto com 80% das pessoas com quem "falei" hoje. Tenho que agradecer pela chuva que caiu pois foi (literalmente) a gota d'água que faltava para eu desligar o computador e me afundar nos vários livros que em fila indiana esperam para serem violados pela minha curiosidade. Aliás, se estou aqui escrevendo é porque meus olhos estão secos por causa do ventilador que teimo em deixar ligado mesmo com o clima não tão absurdamente quente (está até friozinho agora).

Tenho que te dizer que tenho medo até de escolher os CDs errados para ouvir com medo de me azedar até por causa das canções erradas que eu possa ouvir. De uns anos para cá comecei a seguir uma regra até certo ponto simples: em situações como essa pegue discos de blues. Fiz aqui uma torrezinha de caixinhas de CD que incluem o óbvio e sempre raivoso Stevie Ray Vaughan (hoje parei para pensar e talvez Stevie seja meu guitar hero número 1), Blues Traveler (que de blues tem muito pouco mas não deixa de ser ótimo), Blues Etílicos (esse disco ao vivo é bem legal), o joseense Lancaster, um CD-coletânea (com Muddy Waters, John Lee Hooker entre outros) e meu CDRzinho do indispensável e endiabrado Robert Johnson. Vamos ver até onde consigo chegar hoje ...

(Blues Traveler, Four, The mountain wins again. Acho que sou o único cara no mundo que prefere o Straight on till morning)



6.4.02

 
Se um dia escrever um livro um dos capítulos, com certeza, seria mais ou menos assim ...

Sábado com cinema

2002 era até então um ano marcado pela boçalidade. Desempregado e sem perspectiva de voltar a estudar em curto prazo, acabava sempre num cinema para tentar esquecer um pouco das mesmice do mundo real e viver duas horas de realidade virtual controlada. Não havia distinção de filme bom e filme ruim, assistia a todos sem me preocupar. Lógico que esperávamos alguns com mais expectativa (ainda mais naquela época com a febre das trilogias incompletas ...) mas no final das contas o que valia era pagar para ficar as duas horas morrendo de frio naquela sala e se acabando de tanto rir das trapalhadas do agora velhinho Mr.Bean (acho que hoje em dia ele é mais conhecido como Rowan Atkinson, certo?), aguentar masculinamente os nós na garganta como aquele da cena das canetas de A Beautiful Mind, sorrir por ter visto um bom filme ou sair chutando as cadeiras inconformado com um filme medíocre.

A princípio era um sábado como qualquer outro, desses que se não aparece alguém na sua casa te chamando para fazer algo a preguiça bate pesada e você acaba nem saindo de casa. Somado a isso, havia acabado de voltar de Sampa e precisava dar uma arrumada no quarto. Se não me engano na noite passada eu havia passado mal e tinha acordado ainda não muito bem e visivelmente com as entranhas totalmente embaralhadas, e para curar isso nada melhor que ... CINEMA, é claro! Resolvi tentar Cine Majestic com Jim Carrey estranhamente fazendo um papel sério (não me lembro bem mas acho que era seu primeiro personagem sério pelo menos numa produção grande). Seguindo a velha tradição fui a pé para o velho Shopping Colinas numa caminhada que costumava dar seus 45 minutos. Lembro até hoje que calculei mal o tempo - como sempre - e cheguei duas horas antes da sessão. Duas horas são facilmente intermináveis naquele lugar e talvez o que tenha me salvado do pior foi a edição 2 do Cavaleiro das Trevas 2 que com uma mesa, uma garrafa d'água e três fichas de fliperama foram meu passatempo.

Minhas expectativas com relação a Cine Majestic eram acima da média mesmo porque comecei a traçar um inevitável e injusto paralelo o fabuloso Cinema Paradiso. A primeira hora de filme foi ótima e eu estava bem contente apesar das canelas que congelavam com o cruel ar condicionado da sala. O que se sucedeu a partir da segunda metade foi uma papagaiada visivelmente apadrinhada pelo governo americano cujo climax foi a citação regada de pieguice da Primeira Emenda da Constituição deles. Eu que estava numa época em que qualquer tipo de manipulação da opinião pública me causava nojo imediato saí totalmente derrotado da sala, sem poder de reação. Nem a trilha sonora, recheada de músicas dos anos 50 cheias de sons de clarinete (foi nesse dia que descobri que era o clarinete que me fascinava no som daquela cinquentista), nem a primeira hora muito bacana (com cenas que lembravam, sim, Cinema Paradiso) conseguiram fazer contrapeso naquele momento de desolação.

Me restou então voltar para casa e escrever algo no meu blog a respeito do filme (meu sonho era poder ganhar algum dinheiro escrevendo sobre qualquer tipo de manifestação artística ou cultural e essa era minha válvula de escape) mas antes precisava completar o ritual e beber um bom café expresso. Eu devia estar vestindo um manto de invisibilidade (ou seriam minhas canelas vergonhosamente brancas?) pois não havia uma alma viva disposta a me atender. Então derrotado pela soberania americana, agora encarava um 2 a 0 com gol de placa da indiferença humana. Resolvi me rebelar e quebrei o protocolo, saindo do shopping sem meu tradicional café. No meio do caminho encontro uma padaria aberta e entro, pedindo automaticamente um café. Distraído, esqueci de dizer que meu café era expresso e não aquele que foi coado às cinco da manhã. Logicamente o que aparece na minha frente é aquele líquido totalmente oxidado (diz um estudo que o café se oxida em 30 minutos depois de pronto) e adormecido num copo americano com uma colher esperando pelo açúcar a ser misturado. Sem poder de reação aceitei o café e o bebi impiedosamente.

Sabe o que é mais engraçado? No dia seguinte a pergunta que eu me peguei fazendo era "que filme vou ver hoje?" ...

(Eric Martin, Somewhere in the middle)


 
Sábado, 6/4

Day after em Sanja. Cheguei de barriga meio virada aqui em casa ontem. Cevada de primeira com alimentos à base de transgênicos do McDonald's não fazem bem à saúde quando ingerido juntos ou num curto espaço de tempo. Aê Piscuí, foi mal pelo trabalhão!

PS - Por que a Patrícia Coelho teria gravado Wink and a smile do Eric Martin? Se não é a mesma canção é muito parecida. Aliás, exatamente igual ...





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